Poderosa Afrodite

Traição. Que Preocupação Terrível!

Filed under: Artigos | 04/11/2008 (2:48 pm) |

Tenho lido por aí textos exaltando a infidelidade dos homens[bb]. Nenhum homem é fiel. Todos traem. É tudo questão de tempo. Faz parte da natureza deles. São todos uns putões. Homem não mistura sexo com amor. E coisas assim.

Ao mesmo tempo também tenho lido sobre traição feminina e como as traidoras são chamadas de vagabundas e coisas do tipo.

Na verdade, todos esses textos servem para mostrar não os preconceitos e mágoas a respeito das traições[bb]. E sim, as fragilidades de cada um e os medos.

Vou escrever agora uma coisa que pode chocá-los. Mesmo havendo esta diferença básica de como os homens encaram o sexo separado do sentimentos com mais facilidade que as mulheres, e mesmo as mulheres sendo capazes de encarar sexo sem sentimentos tanto quanto os homens, homens e mulheres são absolutamente iguais em relação a fidelidade e traição.

Não há diferença entre homens e mulheres quanto aos desejos de ter um relacionamento estável, satisfatório sexual e afetivamente. Todo mundo quer ser feliz igual basicamente. De preferência com um parceiro apenas. “Aquele ser especial que a gente passa vida inteira procurando” e parece que nascemos com essa necessidade intrínseca de achar.

E quando encontramos nosso par, a tendência é de se ficar com ele e ser fiel. Seja homem ou mulher. E enquanto aquele par preencher nossas necessidades de sexo e afeto, não procuraremos outra pessoa. Não há traição.

Traições são exceções. O perfil do traidor ou traidora contumaz mostra alguém com uma necessidade fora do normal, que não consegue ser satisfeita com uma relação que satisfaz a maioria. É como o se o traidor fosse um poço sem fundo que uma relação dita “saudável”, nos padrões mais comuns de nossa sociedade não o preenchem. Por isso esse apetite excessivo.

É diferente de uma pessoa numa relação que já não tem suas necessidades de afeto e sexo satisfeitas. Por isso eu coloco dois tipos de perfil de traição: o traidor recorrente e o acidental.

Acredito que o medo da maioria das pessoas é pela traição acidental.

Você está feliz num relacionamento, tem sua namorada ou marido e acha que está tudo bem e de repente descobre que foi traído porque seu parceiro se interessou por outra pessoa. Esse interesse só aconteceu porque algo não estava tão bem assim como você imaginava. Ou por outro lado, você tem seu parceiro ou parceira e se vê de repente com tesão por outra pessoa e é pego de surpresa porque achava que era feliz até então.

Quem está num relacionamento e se vê interessado por outra pessoa que não seu parceiro pode ter certeza que tem um problema para resolver em primeiro lugar com o próprio parceiro.

Antes de tudo a pergunta a se fazer é: eu amo meu parceiro(a)? Quero investir nessa relação? Se a resposta for sim, é hora de sentar e conversar sério. Se necessário procurar ajuda de profissionais, como terapeutas de casal[bb]. Reavaliar todo o relacionamento e se reavaliar e se tratar. Partir para terapia individual também, se necessário.

Se a resposta for “não”. Então o negócio é acabar o relacionamento antes de maiores sofrimentos e desgastes.

Nunca, em hipótese alguma se deve falar para o parceiro que o traiu. Isso é um ato extremamente egoísta e cruel. Confessar uma traição só serve para aliviar a consciência do traidor e causar mal ao traído. Quem trai deve estar preparado para levar a traição para o túmulo. Este é o peso de trair. Nunca falar para o seu parceiro que o traiu. O mal, o sofrimento que causar esta confissão não se justifica. Se quiser confessar para alguém, confesse para um terapeuta. Nunca queria impingir este tipo de sofrimento ao seu parceiro ou parceira. Quando a gente confessa algo é só para nos sentirmos bem, e com isso machucamos quem não merece. Não seja egoísta nem leviano.

Bem, exposto que todos estamos propensos a sermos traídos quando nossas relações não satisfazem nossos parceiros, o que fazer?

Eu encaro esta realidade da mesma forma como encaro o fato que todos vamos morrer um dia. Existem verdades absolutas na vida das quais não podemos fugir. Fingir que isso não existe é loucura, criancice. Eu estou sujeita a ser traída tanto quanto estou sujeita a trair: isso é um fato. O fato é que todos procuramos relações satisfatórias afetivas e sexuais.

Não há o que se fazer em relação a tudo isso. Assim a saída é sermos o mais fiéis possíveis a nós mesmos. Resumindo: eu vou tocando minha vida sendo eu mesma, respeitando meus valores, buscando minha felicidade, sendo autêntica. Quando percebo que algo não está bom, conserto. Numa jornada para uma vida cada vez mais feliz e satisfatória.

Afrodite



Posts Relacionados

  • Eu não quero transar. E agora?
  • Sansão E Dalila
  • O Trair
  • Orgia de Porco-Espinhos

  • 2 Comments »

    April 17, 2008 @ 1:40 pm #

    Mandou bem no texto, está muito bom.
    Um folclore que eu acho interessante é dizerem que os homens traem mais que as mulheres. Eu penso que, exceto no caso dos que têm uma traição homossexual, para uma pessoa trair, precisa de outra pessoa do sexo oposto junto. Logo, matematicamente falando, as coisas são iguais.
    Ou será que estou sendo muito vulcano?

    [Responder]

    July 24, 2008 @ 3:04 pm #

    O conceito de traição está precisando ser melhor definido nesses novos tempos. Porque a grande preocupação que gerou a necessidade dos votos de fidelidade foi a coisa da legitimidade dos herdeiros, o que agora pode ser um problema facilmente controlado e também até um certo ponto tolerável, uma vez que ninguém é socialmente rotulado: Bastardo (a), porém temos atualmente a legítima preocupação com a AIDS e outras doenças sexualmente transmitíveis. Como sempre há muitos cuidados a serem tomados.

    Mas a pessoa que trai num relacionamento que não está bem, que está incompleto, está traindo o que? A promessa de ser fiel na saudade e na doença, na saúde e na pobreza? A promessa de oferecer amor eterno e incondicional? Como se pode evitar a “decadência” no nível da paixão quando você vê o cônjuge de manhã, convive com as manias irritantes, sabe exatamente como será a sessão de sexo (cada vez mais curta e mais repetitiva), beijos apaixonados praticamente não existem e quando acontecem são para preencher um protocolo pré-sexual?

    Daí voce encontrará o potencial parceiro ou parceira da traição: fresco (a), sem história, perfumado (a), querendo te agradar. Te oferecendo não necessariamente o amor romântico, mas a novidade, o fogo, o calor do primeiro beijo outra vez. E você pensa em se controlar em nome da boa relação que tem no casamento (sem brigas ou conflitos) , e daí se lembra que o tempo está passando e se pergunta se você deve abrir mão dessa emoção - do novo primeiro beijo – para sempre. Fidelidade aí passa a ser sacrifício, ou pior ainda: condenação.

    E aí, beijar na boca é uma traição? E se for, já que se perdeu por um beijo, porque não se perder por um orgasmo?

    [Responder]

    RSS feed for comments on this post. TrackBack URI

    Leave a comment

    XHTML: You can use these tags: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>