Paixão e Projeção
Pediram para eu escrever sobre o assunto, então lá vai:
Quando a gente conhece uma pessoa, tanto olhando para ela, ou se relacionando na internet, logo de cara e nos poucos encontros, pode surgir um sentimento forte e poderoso que deixa a gente maluco por esta pessoa. A gente fica apaixonado, doido. Querendo a pessoa. Essa é a paixão.
Analisando friamente nosso objeto de paixão, vemos que não sabemos nada dele. Pois a paixão aparece num curto espaço de tempo geralmente, em poucos contatos, às vezes a primeira vista. Apenas temos algumas informações sobre aquela pessoa: o visual, ou a data de nascimento, ou um gosto em comum, enfim, poucas informacões. O que sabemos de fato da pessoa é desproporcional ao que sentimos pela pessoa.
Mas e aquela sensação de que “aquela pessoa” é tão especial? Por que achamos que conhecemos faz tanto tempo? Que parece que sempre esteve ao nosso lado? Que parece que nos completa? Afinal, do que gostamos tanto naquela pessoa que mal nós conhecemos?
Tirando as poucas informações reais que temos do objeto de paixão, o resto foi projetado por nós para nos satisfazer, para completar o buraco que nós temos dentro de nós e precisamos preencher na figura do outro.
Assim, ficamos apaixonados por figuras idealizadas dentro de nós e projetadas em pessoas reais que muitas vezes não vão corresponder às nossas expectativas quando o tempo passar e começarmos a conhecer realmente quem está do nosso lado.
Por isso que tem gente que só consegue se relacionar apaixonado: porque não suporta se relacionar com a pessoa de verdade, com defeitos e virtudes reais e prefere viver num mundo de ilusão idealizada.
Por isso que namoros acabam depois de um certo tempo. Casamentos entram na rotina e a “paixão” acaba e sobram duas pessoas de verdade.
A função da paixão é muito importante. Não podemos menosprezá-la. Ela serve para atrair os casais. Sem ela é dificil um casal se formar, muito sem graça.
Mas é bom estar ciente que ela passa e o processo de descobrimento do outro como ser humano real com defeitos e qualidades também é fundamental. E é o passo seguinte à paixão.
A dor de se desapaixonar é grande por causa de toda expectativa colocada no outro. Toda a fantasia não cumprida, todos os sonhos não realizados. Por isso se sofre tanto. Pois literalmente é parte de nós que nos foi arrancada do peito. A parte que projetamos para fora no outro.
Queridos, a gente não escolhe nem tem controle por quem a gente vai se apaixonar.
Eu só posso dizer que: aproveitem bastante a paixão porque é muito bom!
E não tenham medo.
2 Comments »
Comment by Bruno Pedrassani
April 23, 2008 @ 11:36 pm #
Acho que o que acontece hoje pra tanta gente se separar é que a sociedade aceita mais essa separação, coisa que não acontecia antes. Então, apaixona-se, casa-se, separa-se, apaixona-se, vive-se junto, separa-se e assim vai. Acho que é justamente por essa “abertura” social que não temos mais aqueles longevos casamentos. Isso é ruim? Talvez não. As pessoas pelo menos apaixonam-se mais vezes…
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Comment by Enio Luiz Vedovello
April 24, 2008 @ 4:15 pm #
Apaixonar-se é realmente importante. Até para sabermos que estamos bem conosco mesmos. Do contrário, não nos entregamos à paixão, no máximo a devaneios.
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