15 Anos
Quando eu tinha 15 anos eu fiquei apaixonada por um menino lindo que parecia o Mel Gibson em Mad Max, o Um, quando ele era mocinho e ainda não era um babaca religioso.
Ele morava na represa, lá longe da minha casa, e tinha uma praia particular. Era velejador.Â
Ele também tinha 15 anos.
E o pai dele era contra nosso namoro.
O pai dele era doido e não deixava o menino sair de casa. Uma loucura. Quando tinha festinha ele quase não aparecia.
E eu ficava chupando o dedo.
Eu queria beijar, abraçar, malhar e fazer as coisas que a gente fazia na época.
Mas meu namorado nunca estava e a gente acabava namorando pelo telefone.
Horas e horas pelo telefone.
Amor impossÃvel, sabe? Bem romântico.
Mas o melhor amigo dele era lindo também. E ao contrário dele, ele sempre estava presente.
E me tentava…
Um dia, eu resolvi não resistir. E fui velejar com o melhor amigo dele para detrás da ilha na represa.
Claro que o melhor amigo dele contou para meu namorado e ele terminou comigo na hora.
Eu não era boba.
A surpresa foi quando ele me chamou um tempo depois para ir ao cinema.
Eu fui crente que ele queria voltar. Afinal, para quê ele estava me chamando.
Fomos ao cinema e nada aconteceu.
Vimos o filme e nada.
Pegamos o ônibus de volta e nada.
Ele não abria a boca.
Quando chegou a hora de eu descer no meu ponto eu virei para ele e perguntei por que ele tinha me chamado para ir ao cinema afinal.
Ele apenas sorriu.
Eu dei então uma bolsada na cabeça dele.
Na escada do ônibus.
E eu sempre usei daquelas bolsas grandes cheia de coisas dentro.
O ônibus inteiro entendeu o que estava acontecendo e riu.
Eu não achei a mÃnima graça. Nem ele.
Já com dezoito anos ele voltou a me procurar.
Eu estava namorando com outro mas mesmo assim eu fui me encontrar com ele.
Fomos num bar e tomamos um porre de Gin Tônica.
Rimos de tudo e nem trocamos um beijo.
Ele me deixou em casa e nunca mais o vi.
Eu subi a escada de casa de quatro e minha mãe segurava um balde enquanto eu vomitava no caminho.
Nunca mais tomei Gin Tônica.