Poderosa Afrodite

Morre, desgraçado.

Filed under: Notas de Afrodite | 09/10/2008 (4:08 pm) |

A coisa mais difícil pode ser saber o que se sente dentro da gente.

Porque a parte pensante teima em se meter. E julgar e pesar e condenar.

E o sentimento fica sufocado e confuso, abafado. Coitadinho dele.

E  a gente acaba deixando o sentimento de lado para a parte pensante ficar satisfeita. Mas a satisfação é racional. Não é sentimental porque o sentimento não foi envolvido. Ele não foi considerado na história.

E no fim, a gente torce para o sentimento morrer e não atrapalhar mais.

Que pena.



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    Filed under: Negócio Na Internet | 09/10/2008 (3:54 pm) |

    Dom de Iludir – Caetano Veloso

    Dom de Iludir
    Composição: Caetano Veloso

    Não me venha falar 
    Na malícia de toda mulher
    Cada um sabe a dor 
    E a delícia de ser o que é
    Não me olhe como se a polícia 
    Andasse atrás de mim
    Cale a boca
    E não cale na boca 
    Notícia ruim
    Você sabe explicar
    Você sabe entender
    Tudo bem
    Você está
    Você é
    Você faz
    Você quer
    Você tem
    Você diz a verdade
    E a verdade é o seu dom de iludir
    Como pode querer que a mulher 
    Vá viver sem mentir



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  • Amor e Ódio

    Filed under: Artigos | 09/03/2008 (4:38 pm) |

    Você não escolhe quem você ama.

    Quando vê, está amando com cada pedacinho do seu corpo uma certa pessoa.

    Daí entra a sorte.

    Sorte sim, porque as variáveis podem ser infinitas: a pessoa pode te amar de volta, pode não sentir nada por você, pode ter outra pessoa, pode nem te conhecer. Sei lá, mil coisas.

    Mas esse amor que você sente te modifica e desperta coisas dentro de você, sentimentos e sensações boas e más. E de acordo com as sensações que esse amor desperta dentro de você você pode desenvolver outro sentimento pelo objeto de amor também: o ódio.

    Se as sensações de amar alguém que aparecem para você de alguma forma também são desagradáveis, suscitam coisas ruins dentro de você, nada mais natural que desenvolver sentimentos contrários de raiva, ódio e mágoa pelo objeto de amor.

    Ao amar alguém, de repente você se percebe uma pessoa pior do que você se imaginava. Sua auto-imagem vai para um lugar ruim que você não esperava e não queria ver. Você também pode constatar coisas que não queria constatar a seu respeito ao se comparar com o outro, o objeto do amor.

    Então, você fica numa situação que todo mundo costuma achar muito desconfortável: amando e odiando ao mesmo tempo, com “opostos” dentro de si. E é difícil lidar com os “opostos” num mesmo espaço.

    Eu coloco “opostos” entre aspas porque eu acredito que o oposto de amor é a indiferença. Tanto o amor como o ódio são sentimentos extremamente carregados de emoção. E o oposto de algo carregado de emoção é a ausência de emoção. Assim, para mim, uma pessoa pode sentir pela outra uma carga de emoções que englobam amor/ódio ou pode não sentir.

    Mas como lidar com esses sentimentos ruins dentro de nós? Todo esse ódio?

    Bem, o primeiro passo é reconhecer que se sente algo. Existe uma carga emocional. Ao reconhecer as emoções podemos começar a lidar com elas e não ficar a mercê delas.

    Tem gente que projeta para fora esses sentimentos ruins no objeto de amor.

    E quanto sofrimento desnecessário vemos por aí por causa disso. Pessoas fazendo outros sofrerem porque não lidam internamente com suas próprias dificuldades.

    E como lidar com essas dificuldades? É mais simples do que parece.

    Tudo se resume num processo de aceitação de si mesmo. O que o outro nos mostrou sobre nós que nos trouxe o incômodo dos sentimentos ruins é o que deve ser aceito e incorporado a nossa personalidade. Traduzindo: “aquela pessoa que eu amo me mostrou um lado meu do qual eu não gosto nem me orgulho, mas eu me aceito desse jeito, me amo assim mesmo.”

    Ao aceitar nossas facetas das quais não gostamos, podemos ter acesso a elas e modificá-las. E daí, sim, nos tornarmos a pessoa que achávamos que éramos mas que nosso objeto de amor nos mostrou que não somos.

    Privilegiados aqueles que podem ter esse feedback e ser mais felizes.



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  • Relações Assimétricas

    Filed under: Artigos | 09/02/2008 (1:46 pm) |

    Eu sempre bato na mesma tecla dizendo que uma relação amorosa é entre dois indivíduos, dois seres por inteiro. Duas metades ou seres incompletos não conseguem se relacionar.

    Porém, não basta serem dois inteiros para que a relação dê certo. 

    É necessário haver simetria na relação.

    Não estou dizendo que os envolvidos devam ser iguais.

    Estou dizendo que devem ser simétricos. Devem estar no mesmo patamar de completude, de individuação, de “resolução” emocional.

    Ou seja, com a simetria emocional, as necessidades de ambos são satisfeitas e ninguém fica como apenas doador ou apenas como receptor do amor, da atenção, da estabilidade e de tudo o mais da relação. Ambos ficam satisfeitos.

    Relações assimétricas[bb] acontecem quando o casal não se encontra no mesmo nível de resolução emocional interna. Eles podem se amar demais, mas cada um vai lidar com esse amor pelo outro de forma diferente, pois vai lidar com a emoção que sente de forma diferente de acordo com sua capacidade interna de lidar com suas próprias emoções, de acordo com seu desenvolvimento e grau de resolução  interna.

    Um ama o outro mas é mal resolvido por dentro e não vai saber expressar esse amor pelo seu par. O par no caso da relacão assimétrica é mais bem resolvido e expressará melhor o amor em questão e se sentirá carente pois não terá a contrapartida de expressão de amor da parte mal resolvida. Isso é a relação assimétrica.

    Relações assimétricas são fadadas ao fracasso?

    Eu vejo várias relações assimétricas que duram anos. Porém não garanto a felicidade de todos os envolvidos.

    E como tornar a relação simétrica?

    Isso é um trabalho individual de cada parte pois envolve um desenvolvimento emocional de cada um. Não tem nada a ver com a relação em si. E sim com a forma da pessoa se inserir num contexto de vida e consigo mesmo. A relação no caso serviria para inspirar esse trabalho interno, tipo, vou ser uma pessoa melhor porque eu amo fulano(a) e vou me empenhar em me desenvolver como gente. Mas são poucos os que entram nessa jornada. Geralmente o amor não chega a tanto pois, como a título do artigo diz, a relação é assimétrica.



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