Cilada
Vamos imaginar uma situação hipotética…
Nosso personagem poderia ser um homem ou uma mulher, tanto faz. Mas vamos imaginar um homem.
Era uma vez um cara tranquilo que tinha uma vida legal, um emprego razoável, um mulher bacana, uma certa rotina tranquila também. Uma vida nada de mais. Legal.
Um dia esse cara começa a achar que sua vida está um pouco igual, um pouco sem surpresas, tudo muito parecido, muito previsível, sem emoções. Chata.
Ele já conhece sua mulher, já está acostumado com ela. O trabalho não desafia mais. O que antes o divertia não diverte. Tudo está morno.
Daí, um dia, ele percebe que está insatisfeito com sua vida e resolve mudar.
Começa olhar para os lados e invariavelmente descobre uma outra mulher.
Essa nova mulher é como um sopro de vida que chega. Um amontoado de emoções que o faz vivo de novo.
Um segredo que o aquece, o alimenta por dentro como uma fornalha.
Um alento de aconchego na vida árida do dia a dia.
Ele está apaixonado! A vida volta a ser colorida.
Enquanto isso, enquanto ele carrega esse maravilhoso segredo dentro dele, essa vida colorida e pulsante alimentada por essa nova mulher, sua outra vida outrora morna fica mais suportável. A insatisfação é camuflada pela nova paixão.
Vejam, a insatisfação continua lá, mas a paixão chama mais a atenção dele, o distrai.
Enquanto isso, a mulher objeto da paixão, acredita que está se relacionando com um homem por inteiro, quando na verdade está apenas se relacionando com uma parte secreta deste homem.
E aqui temos a cilada montada.
Ela cairá na cilada dele e continuará acreditando que ele mudará de vida, trocará a mulher dele por ela? Continuará sendo o alimento emocional dele, sendo vampirizada, sem receber a contrapartida de ter um parceiro inteiro ao seu lado?
Ou simplesmente responderá: “você tem um problema para resolver. Quando resolver, volte a me procurar e daí vamos ver.”
1 Comment »
Comment by Marina
October 31, 2008 @ 2:21 am #
Sim, não vale a pena ser “a outra”. Não duvido que ele goste dela, mas ela nada mais é que um alívio para ele. Definitivamente, não nasci para ser segundo lugar na vida de alguém. A pessoa precisa se dar mais valor.
Abraço, Liliana. Excelente texto.
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