Complacência
Complacência (pelo Houaiss)
Datação
1540 JBarV 19Acepções
? substantivo feminino
ato ou efeito de comprazer
1 disposição habitual ou tendência de corresponder aos desejos, gostos, idiossincrasias de outrem com a intenção de ser-lhe agradável
Ex.: obter um favor da c. dos parentes
2 Derivação: por metonímia.
ação inspirada nessa disposição; gentileza, delicadeza
Ex.: não havia c. que a satisfizesse
3 Derivação: por extensão de sentido. Uso: pejorativo.
ação inspirada por condescendência ou submissão condenável
Ex.: as c. ilícitas dos políticos irresponsáveis
4 Derivação: sentido figurado.
brandura, benignidade
Ex.: houve c. por parte do tempo, e por isso saímos sem chuva
5 Rubrica: fisiologia.
alteração do volume pulmonar determinada pela modificação da pressão intra-alveolar, medida no pico do volume respiratório, quando não há fluxo aéreo
6 Rubrica: fisiologia.
índice de distensibilidade de estruturas elásticas (vasos sangüíneos, coração, pulmões)
7 Rubrica: termo jurídico, medicina.
estado ou qualidade do hímen complacente
Etimologia
lat.tar. complacentìa,ae ‘id.’ ; ver praz-; f.hist. 1540 complacecia, 1573 complaçencia, a1595 complacenciaSinônimos
ver sinonímia de beneficência e antonímia de desgosto, fúria
Eu gosto muito da palavra “Complacência”.
No entanto, como médica, eu a uso no sentido fisiológico do termo: qualidade elástica de nosso organismo que tem um limite. Ou seja, nós somos elásticos até certo ponto, depois, arrebentamos, e aí está o limite de nossa complacência.
Como eu não divido mente e corpo, extrapolo para nossos sentimentos essa qualidade elástica limitada que temos em nosso pulmões, vasos, etc.
Para mim, temos a complacência no amor, no gostar, no sofrer pelo outro. Temos um limite nosso no sentir que depois de ultrapassado deixamos de sentir igual. O sentimento se rompe, se estraga, se desfaz assim como um elástico que arrebenta se puxado demais além de seu ponto de resistência e elasticidade.
Cada pessoa é complacente diferentemente. Uns são mais que outros. Outros parecem que não são nada complacentes. E alguns parecem que suportam qualquer pressão e nunca rompem.
Muitos fatores são envolvidos na constituição da complacência de alguém: de que material essa pessoa é feita, suas experiências anteriores, suas necessidades imediatas, seu background familiar, cultural e social por exemplo.
Mas cada um de nós tem seu ponto de ruptura no qual aquele determinado sentimento foi empurrado até determinado limite que depois dele, o sentimento se modifica.
Que limite seria este?
Na minha experiência eu percebo que o que determina limites às pessoas é a imediata ameaça a integridade da pessoa como indivíduo. Quando se chega ao ponto extremo do “ou eu ou ele”.
Quantos casos vemos por aí de pessoas que são abusadas fisicamente ou psicologicamente e mesmo assim continuam complacentes em seus sentimentos pelo seu abusador? Acredito que mesmo nessas situações de abuso, o abusado ainda não se sente com sua integridade de fato em risco de perecer. (Claro que estou falando daqueles que ainda nutrem sentimentos positivos pelo abusador.)
Arrisco também a dizer que para termos limites complacentes precisamos ter uma estrutura individual formada. Ou seja, temos que pensar em termos de “eu”. E para muitas pessoas é bem difícil pensar em “eu” em vez de “nós”.
Para alguns, só em situações extremas, quando se percebem indivíduos, sozinhos, que não estão grudados siamesamente no outro é que se dão conta que existe o “eu”.
“Eu não quero morrer.”
“Eu não quero me anular.”
“Eu gosto disso.”
E finalmente chegar ao: “eu não gosto disso”.
Conhecer-se é saber seus próprios limites de complacência para não se colocar em situações que se vai sofrer rupturas internas, sempre traumáticas e dolorosas. No entanto, uma das formas de conhecer esses limites é ultrapassando-os pois nem sabíamos que eles estavam lá. Daí, é aprender que eles existem e que uma hora se arrebentam. E tentar não se ferir de novo.
Você sabe até onde você vai por amor?











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