MANUAL DO CORAÇÃO PARTIDO – CAP 13
- Não é Solteirice, É Viuvez.
Após um rompimento, muita gente chama o ex ou a ex de falecido(a). O tal falecido permanece ativo na mente como um fantasma, participando dos pensamentos, sendo alvo de comparação constante, sendo referência para situações e julgamentos. Ou seja, o ex-amor não sai da cabeça. Literalmente assombra.
O solteiro não tem essa referência funcionando dentro de si. Tudo é novidade. Não há comparação. O viúvo compara, lembra, sente saudades. Olha para o passado e contamina o presente.
Esses pensamentos constantes sobre o defunto aparecem nas mais inusitadas horas e atrapalham demais. É como se nossa mente tivesse um espaço preenchido por outra pessoa, interferindo no raciocínio e nas experiências atuais. Tudo passa pelo filtro do outro. Tanto faz lembranças ruins ou boas, tudo que nos acontece é comparado com a época que tínhamos a pessoa ao nosso lado. O que ele falaria? Qual seria sua reação? O que ele faria nesse caso?
Daí percebemos que nossa personalidade está intimamente ligada ao outro que nos deixou. Estamos possuídos pelo fantasma.
Não importa que sejam lembranças boas ou ruins, e geralmente parece que nós conseguimos editar apenas para lembrar as coisas boas, o peso de carregar o outro dentro de nós nos impede de aproveitar as novas experiências.
Então o que fazer para exorcizar essa presença?
Reconhecer sua existência é o primeiro passo.
Saber que está vivendo em constante comparação até que você um dia se pegue não comparando mais.
Fazer um reality check do outro. Olhar suas memórias de forma objetiva, sabendo o que era bom e o que era ruim.
Fazer coisas suas e apenas suas. Coisas que você gosta e se concentrar no seu momento prazeroso.
O objetivo é retomar sua mente para você. Seus pensamentos em você.
Nessa hora, com a mente preenchida pelo outro, nenhuma outra pessoa vai ser interessante. Então não se cobre arrumar outro amor. As pessoas dizem que o melhor remédio para um amor perdido é outro amor. Eu não concordo, porque não dá para se concentrar em outra pessoa se nossa cabeça ainda não consegue pensar nem em nós mesmos.
Então, é normal pensar com saudades e ter o outro como referência interna por um tempo. E o segredo é tomar você agora como sua referência. Preencher sua mente com seus desejos, seus gostos, suas preferências, suas escolhas até que não sobre mais espaço para pensamentos no falecido. Até que o falecido deixe de ser falecido e vire apenas uma pessoa comum, uma parte de sua história e não um fantasma.